OLHO_Binaural

Programa no espaço "Sesc cine lounge" durante a 21 mostra de cinema de Tiradentes

DATAS: De 19 a 27 de janeiro 2018

 

 Regina Parra, Capitão do mato, frame do vídeo.

Regina Parra, Capitão do mato, frame do vídeo.

 

ARTISTaS

cao guimarães, júlio cavani, luiz roque, Mika Taanila, regina parra, reynold reynolds, tanya busse, yuri firmeza.

 

Respondendo ao ‘chamado realista’, tema da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, as obras selecionada tensionam o realismo fotográfico do meio através da ênfase dada ao registro sonoro. Em todos os casos o resultado é rítmico, hipnótico e musical, mesmo que de formas conceitualmente e plasticamente distintas. 

 

 

obras

 

Cao Guimarães, Concerto para Clorofila
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD, 7'25'', 2005

Conjunção de luz e sombra, formas, cores e texturas que denunciam a interrelação necessária de tudo que é vivo e vibra.

 

Yuri Firmeza, Nada é 
Vídeo digital HD, 32', 2014

Aqui Nada É, tudo foi ou será.


Luiz Roque
S

Vídeo Digital HD, 5’, 2017

S é adaptação livre do texto “Rumo a uma redistribuição desobediente de gênero e anticolonial da violência!”, de Jota Mombaça. No filme, Roque trabalha a partir da comunicação não verbal - dança e movimentos coreografados - em uma linguagem corporal que mistura os estilos musicais break e vogue, ambos com raízes na cultura negra, relacionados a grupos sociais distanciados do mainstream, porém dissonantes entre si.

 

Tanya Busse
Robo She
Vídeo digital HD, 10'05, 2015

ROBO SHE é um trabalho em vídeo que nos conduz através do funcionamento interno da planta de separação de materiais de Bjørnevatn da Noruega ártica, um espaço para a veneração de verbos de ação: rodar, moer, peneirar, misturar, penetrar. O equipamento tem uma semelhança inquietante com as partes do corpo: uma massa de bobinas e de cabos atados em um grande nó flutuam suspensos no meio de uma sala, lembrando um aparato cardíaco humano, enquanto os pulmões do separador de ferro inspiram e expiram. Outra tomada mostra uma máquina para lavar os materiais - uma roda escura e enorme domina o quadro, como um olho preto empoeirado. O desejo irônico de ver algo humano em tudo isso ressalta a desumanidade desses ambientes artificiais, que, tendo movimentos e ritmos próprios, parecem ganhar autonomia.

 

Mika Taanila
Optical Sound
Filme 35 mm convertido em vídeo digital H, 6', 200

Vivemos em uma realidade sobrecarregada de tecnologia. No filme, ferramentas de escritório obsoletas transformam-se em instrumentos musicais do futuro. O filme é baseado na Symphony # 2 for Dot Matrix Printers for [The User]. Usando imagens noturnas em stop motion, câmeras de vigilância em miniatura e fotocopiando a partitura diretamente em celuloide transparente, Optical Soundexplora a estética sonora e visual do barulho das impressoras. A música foi feita usando apenas sons de impressoras matriciais; sem sampling, sem outras fontes sonoras e com um processamento eletrônico mínimo.
 

Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander
Quarta-Feira de Cinzas
vídeo digital, 6', 2006

Após o carnaval, no ocaso melancólico de uma Quarta-Feira de Cinzas, as formigas começam sua festa profana, multicolorida, ao ritmo de samba em caixa de fósforo.

 

Reynold Reynolds
Six Easy Pieces
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD e fotos still, 7’, 2010

Six Easy Pieces é a última parte da Trilogia Secrets, um ciclo de três partes que explora as condições imperceptíveis que emolduram a vida. O trabalho é baseado no livro Six Easy Pieces: Essentials of Physics Explained by Its Most Brilliant Teacherde Richard P. Feynman. O seu conteúdo fala sobre a especificidade do meio - apresentando imagens de medição do tempo, da luz, da mecanização da forma humana, e até mesmo referências diretas a Duchamp e Muybridge e seus respectivos estudos sobre o movimento. "O filme é a Sétima Arte, uma excelente conciliação dos Ritmos do Espaço (as Artes Plásticas) e dos Ritmos do Tempo (música, poesia e dança), uma síntese das artes antigas: arquitetura, escultura, pintura, música, poesia e dança. " Ricciotto Canudo.


Regina Parra
Capitão do Mato
Vídeo digital, 5', 2016

O vídeo “Capitão do Mato” tem o título tomado do pássaro que habita muitas das florestas da América Latina e que no passado ganhou tal alcunha por anunciar, com seu canto agudo, qualquer movimentação estranha na mata, delatando escravos fugitivos que nela se embrenhavam e se escondiam. Em paisagem tão exuberante quanto claustrofóbica, a artista faz confluir canto de pássaro e som saído da boca de homem, em rememoração encenada dessa improvável e mortífera aliança.


Júlio Cavani
História Natural
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD, 11', 2014

A travessia de um personagem em uma floresta torna-se uma jornada através das tensas relações entre plantas, bichos e homens. A trilha sonora, realizada por Henrique Vaz e Marcelo Campello e inspirada por suas pesquisas nas bandas Bestiarum, Uiu, Pooru e Embuás, busca sugerir uma tensão crescente, um espiral alucinatório semelhante à tontura, a um processo de desmaio ou aos efeitos de substâncias (como o clorofórmio ou o éter) quando inaladas pelo corpo, em um resultado que reforça o crescimento do caos sugerido pela narrativa. Os sons que surgem quando o personagem encontra um misterioso objeto orgânico foram elaborados junto com o artista sonoro Guga Rocha com a intenção de sugerir que há uma vida pulsante naquela estranha forma. Para alcançar essa sugestão biológica, foram pesquisados sons de líquidos de diferentes consistências, combinados com a sonoridade de um djeridoo (instrumento musical feito com um grosso caule de bambu). O cineasta paraguaio Pablo Lamar fez a captação de som direto durante as filmagens, trabalho importante por causa do ambiente imersivo da floresta de mata atlântica onde o curta foi filmado.


Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander
O inquilino
Vídeo digital HD, 10', 2010


O filme descreve a trajetória de uma bolha de sabão que examina as salas vazias de uma casa em reforma. Em suspensão permanente, sem nunca estourar, a bolha flutua de uma sala a outra, investigando cantos vazios e paredes destruídas. Todas as janelas estão fechadas, não há saída. A trilha sonora, composta pelo duo O Grivo, traz sons de casa vazia, presença humana e sintetizadores, imprimindo um aspecto psicológico à narrativa.