Tamar Guimarães

Tamar Guimarães nasceu em Belo Horizonte, Brasil, 1967. Vive e trabalha em Copenhague, na Dinamarca.

A obra de Tamar se baseia em pesquisa histórica e frequentemente incorpora materiais encontrados, tais como fotos, textos, documentos e objetos para questionar as narrativas dominantes do modernismo. O reprocessamento desta matéria-prima produz narrativas de natureza híbrida entre o documentário, o ensaio e a ficção. A artista investiga a maneira como relações sociais de raça, classe e trabalho se manifestam em produtos culturais distintos, pertinentes à arquitetura, à literatura religiosa ou à dança, por exemplo. Exposições recentes do artista incluem a 55º Bienal de Veneza e a 56º Bienal de Veneza, a 31º de Bienal de São Paulo, a 29 Bienal de São Paulo; The Insides Are on the Outside, na Casa de Vidro Lina Bo Bardi, São Paulo, Sin Motivo aparente no Centro de Arte Dos de Mayo, Madrid, Espanha, Better Homes, Sculpture Center, Long Island City, EUA, Ambiguacões, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, entre outros.

A família do Capitão Gervásio | Tamar Guimarães/Kasper Akhøj | 2013
Filme 35 mm convertido em vídeo digital HD| 14’00’’

A Família do Capitão Gervásio foi filmado em vários locais no Brasil - a milhares de quilômetros um do outro - mas gira em torno de uma comunidade espírita de Palmelo, uma pequena cidade empoeirada de 2000 habitantes, no interior de Goiás (Brasil). Metade dos habitantes da cidade são médiuns psíquicos que trabalham como professores e funcionários públicos e participam diariamente de rituais comunitários de cura psíquica. Segundo os membros dessa comunidade, espíritos podem intervir, ensinar e transformar o mundo material. Os Espíritas de Palmelo praticam o que é conhecido como “cadeia magnética”, um legado do médico alemão Franz Mesmer, do fundador do Espiritismo Allan Kardec, e do botânico francês François Deleuze. Em Palmelo, a cadeia magnética é utilizado para o tratamento de várias formas de doença, inclusive as psiquiátricas. O subtexto do filme é indicativo de como essas práticas entram em conflito com os movimentos oficiais de sanidade mental e os códigos de “loucura” infligidos pela modernização.

Canoas | 2006
HDV / 35mm film, dolby digital | 12’

Canoas é um curta-metragem em 16 milímetros sobre os preparativos para um coquetel na Casa das Canoas - a casa que Oscar Niemeyer construiu para si no início dos anos 50. De acordo com Richard J. Williams, durante a presidência de Juscelino Kubitcheck, a Casa das Canoas foi uma parte crítica da infra-estrutura cultural do Rio, proporcionando um ambiente frequentado regularmente por dignitários e intelectuais. A carga erótica da casa era, sem dúvida, mais imaginária do que real, mas contribuiu - junto com as praias, a pavimentação de Copacabana e a genuinamente desinibida folia do Carnaval - para o mito do Brasil como um paraíso erótico. (...) Uma casa modernista neste cenário supera qualquer previsão dos Modernistas Europeus. Longe de ser uma “máquina de morar”, é veículo para uma profusão de prazer orgiástico.