Tamar Guimarães

Tamar Guimarães nasceu em Belo Horizonte, Brasil, 1967. Vive e trabalha em Copenhague, na Dinamarca.

A obra de Tamar se baseia em pesquisa histórica e frequentemente incorpora materiais encontrados, tais como fotos, textos, documentos e objetos para questionar as narrativas dominantes do modernismo. O reprocessamento desta matéria-prima produz narrativas de natureza híbrida entre o documentário, o ensaio e a ficção. A artista investiga a maneira como relações sociais de raça, classe e trabalho se manifestam em produtos culturais distintos, pertinentes à arquitetura, à literatura religiosa ou à dança, por exemplo. Exposições recentes do artista incluem a 55º Bienal de Veneza e a 56º Bienal de Veneza, a 31º de Bienal de São Paulo, a 29 Bienal de São Paulo; The Insides Are on the Outside, na Casa de Vidro Lina Bo Bardi, São Paulo, Sin Motivo aparente no Centro de Arte Dos de Mayo, Madrid, Espanha, Better Homes, Sculpture Center, Long Island City, EUA, Ambiguacões, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, entre outros.

A família do Capitão Gervásio | Tamar Guimarães/Kasper Akhøj | 2013
Filme 35 mm convertido em vídeo digital HD| 14’00’’

A Família do Capitão Gervásio foi filmado em vários locais no Brasil - a milhares de quilômetros um do outro - mas gira em torno de uma comunidade espírita de Palmelo, uma pequena cidade empoeirada de 2000 habitantes, no interior de Goiás (Brasil). Metade dos habitantes da cidade são médiuns psíquicos que trabalham como professores e funcionários públicos e participam diariamente de rituais comunitários de cura psíquica. Segundo os membros dessa comunidade, espíritos podem intervir, ensinar e transformar o mundo material. Os Espíritas de Palmelo praticam o que é conhecido como “cadeia magnética”, um legado do médico alemão Franz Mesmer, do fundador do Espiritismo Allan Kardec, e do botânico francês François Deleuze. Em Palmelo, a cadeia magnética é utilizado para o tratamento de várias formas de doença, inclusive as psiquiátricas. O subtexto do filme é indicativo de como essas práticas entram em conflito com os movimentos oficiais de sanidade mental e os códigos de “loucura” infligidos pela modernização.

Canoas | 2006
HDV / 35mm film, dolby digital | 12’

Canoas é um curta-metragem em 16 milímetros sobre os preparativos para um coquetel na Casa das Canoas - a casa que Oscar Niemeyer construiu para si no início dos anos 50. De acordo com Richard J. Williams, durante a presidência de Juscelino Kubitcheck, a Casa das Canoas foi uma parte crítica da infra-estrutura cultural do Rio, proporcionando um ambiente frequentado regularmente por dignitários e intelectuais. A carga erótica da casa era, sem dúvida, mais imaginária do que real, mas contribuiu - junto com as praias, a pavimentação de Copacabana e a genuinamente desinibida folia do Carnaval - para o mito do Brasil como um paraíso erótico. (...) Uma casa modernista neste cenário supera qualquer previsão dos Modernistas Europeus. Longe de ser uma “máquina de morar”, é veículo para uma profusão de prazer orgiástico.

 

Salla Tykka

Nasceu em 1973, em Helsinky, na Finlândia, onde vive e trabalha.

Usar referências a diferentes filmes e gêneros cinematográficos foi uma maneira de processar a imagem feminina no cinema e na cultura de massa como um todo. Queria criar uma experiência cinematográfica que jogasse com a contradição entre forma e conteúdo. Nesses filmes, não existe qualquer narrativa lógica, mas o estilo em que são narrados dà ao espectador a sensação contrária. Salla Tykkä.

A artista trabalha com cinema e vídeo desde 1996. Se formou na Academia de Belas Artes de Helsinky. Em 2001, participou da Bienal de Veneza. Suas últimas exposições individuais incluem: Baltic Centre for Contemporary Art, Newcastle, 2013; Drimart Garibadi, Istambul, 2012; EX3, Florença, 2011; Hayward Gallery Project Space, Londres, 2010. Os filmes de Tykkä foram mostrados em festivais de cinema internacionais, como o 60º Festival Internacional de Curtas de Oberhausen, 2014; 8 Miami International Film Festival, Miami, 2009; 36 Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, 2007; 21 Best European Short Film Festival, 2006; Tribeca Film Festival, Nova York, 2003. Seu mais recente curta-metragem, Giant, ganhou a Canon Tiger Awards de Curta-Metragem, no 43º Internacional Rotterdam Film Festival de 2014.

Giant | 2013
Vídeo digital HD| 12’20’’

Giant é sobre os principais ginastas da equipe júnior da Romênia. O filme é rodado em duas escolas de ginástica artística, em Onesti e Deva. A trilha sonora das entrevistas com os ginastas acompanha imagens de sua formação e dos ginásios vazios. Imagens de arquivo dos anos setenta e clipes de um longa de ficção nos mesmos locais revelam não só uma continuidade no imaginário sobre este esporte, mas também nos modos de representá-lo.

Zoo | 2006
Filme 35 mm convertido em video digital HD| 12’

Em Zoo, uma mulher está tirando fotos de gaiolas em um zoológico. Os animais a olham de volta e a seguem com os olhos. A mulher mergulha em águas profundas, onde está acontecendo um violento jogo de rúgbi subaquático. Ela emerge para respirar, mas os olhares dos animais e o olhar da câmera bloqueiam sua via de fuga. Em desespero, ela toma uma decisão extrema

Lasso | 2000
Filme 35 mm convertido em vídeo digital HD | 3’48’’

Lasso expõe um momento peculiar na vida de uma jovem mulher; um momento em que a incapacidade de enfrentar o outro - ou a si mesma - é comprimida em uma sensação poderosa em algum lugar no limite do irreal.

Reynold Reynolds

Nasceu em 1966 no Alaska Central. Vive e trabalha em Berlim. A representação poética e ao mesmo tempo macabra de dramas e catástrofes está no coração da obra de Reynold Reynolds, em especial os trabalhos que ele desenvolveu em colaboração com o fotógrafo Patrick Jolley. Seus vídeos e instalações fotográficas atraem o espectador para cenários que jogam com nossos medos pessoais ou coletivos de acidentes domésticos e cataclismas.

Destinatário Contemplado pela John Simon Guggenheim Memorial Foundation Fellowship, seu trabalho está na coleção do MoMA, Nova York e da NBK, Berlim. Exposições individuais mais recentes: Palais de Tokyo, Paris, 2014; Reynold Reynolds: The Lost, PB, Cidade do México (2014); MUAC Cidade do México, (2014); Beyond Earth Art, Johnson Museum of Art, Cornell Ithaca, USA (2014); EXPO 1: NEW YORK, MoMA PS1, Nova Iorque (2013); 9 + 1 Ways of Being Political, MoMA New York, NY (2012).

Burn | Reynold Reynolds / Patrick Jolley | USA, 2002
HD video transferred from 16mm | 10’

Burn é uma evocação impressionante desses não-ditos, esses segredos, preocupações e mentiras, formando uma força que é sempre uma parte do tecido das interações cotidianas; num primeiro momento, roendo miudinho suas bordas, e então - provocada por uma palavra ou um gesto - queimando de repente tudo e todos em seu caminho. Belinda McKeon, The Irish Times.

New York City simphony | USA, 1995
Filme Super 8 convertido em vídeo digital HD | 10’

O vídeo invoca a sinfonia da Nova Yorque dos filmes da época do cinema mudo, só que aqui os sons da cidade fornecem a força motriz do filme.

Seven Days Till Sunday | Reynold Reynolds / Patrick Jolley | USA, 1998
Filme Super 8 convertido em video digital | 10’

Seven Days Till Sunday é uma sinfonia composta a partir da queda de corpos. Uma sucessão de sequências de imagens mostra a figura humana caindo através da paisagem urbana em direção à aniquilação violenta por parte das forças do fogo e da água.

Secret Machine | Germany, 2009
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD e foto stills | 7’

Secret Machine é o segundo vídeo da trilogia Secrets, seguido de Six Easy Pieces (2010). Em Secret Machine, uma mulher é submetida aos estudos de movimento de Muybridge. Como na fotografia original de Muybridge, o seu corpo é tratado a partir de uma grade cartesiana e segundo critérios da estética grega. Neste trabalho, diferentes técnicas de filmagem são comparados com o movimento do corpo. A câmera de filme torna-se uma ferramenta de medição. A intenção é criar uma obra de arte do ponto de vista da máquina - especificamente, de uma câmera.

Six Easy Pieces | Germany, 2010
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD e foto stills | 7’

Six Easy Pieces é a última parte da Trilogia Secrets, um ciclo de três partes que explora as condições imperceptíveis que emolduram a vida. O trabalho é baseado no livro Six Easy Pieces: Essentials of Physics Explained by Its Most Brilliant Teacher de Richard P. Feynman. O seu conteúdo fala sobre a especificidade do meio - apresentando imagens de medição do tempo, da luz, da mecanização da forma humana, e até mesmo referências diretas a Duchamp e Muybridge e seus respectivos estudos sobre o movimento. O trabalho conecta a arte e ciência, seu foco é o espaço e o tempo. Romanticamente se refere a uma época em que artistas e cientistas tinham preocupações semelhantes e muitas vezes eram a mesma pessoa.

Pietro Fortuna

Pietro Fortuna nasceu em Padova em 1950 e vive em Roma e Osa, na Umbria.

A obra de Pietro Fortuna é permeada de sugestões filosóficas expressas através de formas simbólicas e estruturas conceituais. “Quando criança, Fortuna temia que o mínimo estímulo visual pudesse causar a queda de seus olhos para o interior de sua cabeça. Quando adulto, não trai essa visão: revelações invertidas, vertigens causadas pela objetividade, voos que colapsam, são parte de uma investigação sobre o que resta da realidade quando libertada dos constrangimentos da interpretação. “ Guglielmo Gigliotti.

Pietro Fortuna participou de muitas exposições colecivas e individuais, incluindo a XVI Bienal de São Paulo, a XII Bienal de Paris, Villa Arson em Nice, the Kunstler House de Graz, o Frankfurter Kunstverein em Frankfurt, o Palais de Glace em Buenos Aires, o Museu de Arte Moderna de Bogotá. Ele realizou exposições individuais no Museu de Arte Moderna de Caracas, no Palazzo del Capitano del Popolo, Todi, em La Nuova Pesa, Roma, no Watertoren Centre for Contemporary Art, Vlissingen, na Tramway em Glasgow, na Fondazione Morra em Nápoles, no MACRO, na Quadrienal, e na Galeria Nacional de Arte Moderna em Roma, onde ele instalou um trabalho permanente. Em 1996, fundou Opera Paese, um lugar onde figuras proeminentes como Philip Glass, Jan Fabre, Michelangelo Pistoletto, Carlo Sini, Jannis Kounellis e Gija Kancheli refletiram sobre arte, música e filosofia através de debates públicos e exposições.

Studio visit | 2013
Vídeo digital HD | 4’

Studio visit é uma viagem íntima para o universo do artista. É concebido como um único longo take. Não existe um final real para este tour, assim como não há referências espaciais ou temporais: isso o orienta para um limite que transcende o que podemos ver. Helga Marsala, Artribune

Altar | 2013
Vídeo Digital HD | 2’

Altar, Good Friday e RWY são parte de uma série de vídeos em que o artista tenta bloquear ou retardar, a nossa quase automática compulsão por atribuir um sentido. Suspendendo a busca por uma interpretação final é possível experimentar o que existe independentemente de qualquer intenção narrativa, isolando algo parecido com o fora de lugar e o fora do tempo, que Aristóteles define como a base para comicidade. Em Altar uma canção popular judaica chamada tzena tzena anima alguns objetos em uma prateleira.

Good friday | 2013
Vídeo digital HD | 2’

Em Good friday (Sexta-feira Santa) um tradicional marcha fúnebre do sul da Itália, Pianto Eterno, faz contraponto a um ator constrangido que segura um maço de flores na frente da câmera.

RWY | 2013
Vídeo digital HD | 2’

Em RWY a verbalização do que vemos é apresentada muitas vezes. O que muda é o sujeito da sentença. A comutação sintática abre uma fresta sobre o poder da linguagem em moldar nossa visão.

Mario Garcia Torres

Mario Torres Garcia nasceu em 1975, em Monclova, México e hoje vive e trabalha em Los Angeles, Califórnia. O artista olha para a história recente, em suas duas articulações, a anedótica e a oficial, para tecer conexões entre o presente e artistas de gerações passadas que, em suas palavras, “foram fundamentais por tentarem legitimar diferentes concepções sobre a arte”(...) Os seus gestos funcionam como uma apropriação, que ressignifica e re-enfoca o trabalho de outro artista através de sua própria lente, para abrir um diálogo através do tempo e do espaço sobre o status dos objetos e das experiências artísticas, bem como sobre a função da memória ou, em sua ausência, da anedota como seu substituto.

Exposições individuais e coletivas incluem o Thyssen-Bornemisza Art Contemporary, Viena (2008), a Kadist Art Foundation, Paris (2007), o Stedelijk Museum em Amsterdam (2007), a Frankfurter Kunstverein, Frankfurt (2007), a Bienal de Veneza (2007), o Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (2004, 2005 e 2007), o MCA Chicago (2007), a Tate Modern, em Londres (2007) e a Moscow Biennale (2007). Ganhou o Prêmio Cartier na Frieze Art Fair (2007).

The Schlieren Plot | 2013
Vídeo digital HD | 29’

O trabalho é um ensaio lírico que reimagina o planejamento da obra que Robert Smithson estava desenvolvendo no Texas entre 1967 e 1973, mas que não conseguiu concluir. Através da edição, do registro sonoro, da trilha e de uma voz-over, o filme afirma o clima, a história e as subjetividades texanas como agentes que possibilitam a atualização da existência da obra, e que testemunham que a previsão de seu futuro já teria sido imaginada por Smithson.

 

Laurent Grasso

Laurent Grasso nasceu na França em 1972. Hoje vive e trabalha em Paris e Nova York.

Grasso desenvolveu um fascínio pelas possibilidades visuais relacionadas com os estudos científicos sobre a energia eletromagnética, as ondas de rádio e fenômenos misteriosos que ocorrem naturalmente. Grasso explora assim as ciências que se aplicam à atividade paranormal, um dos assuntos favoritos de cientistas e filósofos do século 18, e tema frequente nos ‘gabinetes de curiosidades’ da era vitoriana. Além disso, utiliza imagens obtidas a partir da história do cinema e da arte e, trabalhando em vídeo, escultura e, mais recentemente, pintura e desenho, ele recria fenômenos - tanto humanos como naturais - que configuram justaposições surreais e ambíguas de tempo e espaço. Grasso foi homenageado com o Prémio Marcel Duchamp em 2008 e é tema de uma monografia importante - Laurent Grasso: The Black-Body Radiation - publicado por les press du réel. Exposições individuais recentes incluem The Horn Perspective no Centro Pompidou e Gakona no Palais de Tokyo, ambos em Paris, França, em 2009. Grasso também participou da 9ª Bienal de Sharjah e na Manifesta 8. As exposições recentes incluem Portrait of a Young Man no Bass Museum of Art, Miami Beach, Uraniborg na Galerie nationale du Jeu de Paume, em Paris, na França e no Montreal Museum of Contemporary Art, no Canadá e, mais recentemente, Disasters and Miracles na Kunsthaus Baselland, na Suíça, onde Grasso atuou como co-curador, em conjunto com os museus, alterando a arquitetura dos espaços de exposição e fundindo suas obras com peças de coleções permanentes das instituições, a fim de criar uma experiência de visualização única e dinâmica.

Uraniborg | 2012
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD| 15’48’’

Uraniborg, ou “palácio do Urania”, que leva o nome da musa da astronomia, foi construído em 1576 na ilha de Ven, entre a Dinamarca e a Suécia. Financiado pelo rei Frederico II, o palácio abrigava o maior observatório da Europa, onde o astrônomo Tycho Brahe passou vinte anos gravando e analisando a configuração das estrelas e os movimentos dos planetas. O filme Uraniborg é como um documentário sobre algo invisível: o Castelo de Tycho Brahe, que não existe mais. Construído antes da invenção do telescópio astronômico, este castelo-observatório tinha numerosas aberturas que davam para o céu. A voz-off explora esta linha de falha no visível e tece conexões entre a arquitetura e a noção de dispositivos de exibição. 

Soleil double | 2014
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD| 11’

Grasso filma Soleil Double no EUR, um distrito da cidade de Roma concebido na década de 1930 pra ser um importante complexo da Feira Mundial de 1942 e uma homenagem ao 20º aniversário do fascismo. No entanto, a Feira Mundial nunca aconteceu devido à Segunda Guerra Mundial. Nas décadas que se seguiram, alguns dos edifícios foram concluídos no seu design original, enquanto outros foram adicionados em um estilo mais contemporâneo, criando um ambiente arquitetônico que parece existir em intervalos de tempo múltiplos, mas simultâneos. Os dois sóis que brilham sobre a praça no filme sugerem algum tipo de desastre ou de fenômeno natural inexplicável.

A experiência do mundo retratado em Soleil double é afetada pela lógica desses corpos celestes idênticos; a aparição de um segundo sol é o catalisador para cada imagem. Rimbaud chamou isso ‘dédoublement’; outros têm nomeado ‘itselfsame’, e outros ainda de ‘O outro’. Por Stephanie Cristello.

Soleil noir | 2014
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD | 11’40’’

A câmera se move muito lentamente sobre o terreno variado de um vulcão filmado de cima. Aqui, o espectador torna-se um voyeur, observando o território duvidosamente dormente abaixo, preenchido de forma intermitente com passagens de fumaça e cordilheiras montanhosas que se assemelham a dunas no deserto.

Polair | 2007
Vídeo HD e animação | 8’30’’

Polair reproduz a propagação de uma nuvem de pólens em Berlim, atraída pelas fontes eléctricas e magnéticas da cidade, em especial o Fernsehturm.

Jesper Just

Jesper Just nasceu em 1974 em Copenaghen. Vive e trabalha em Nova York.

Just emprega mecanismos geralmente associados a grandes produções cinematográficas: seus notos quadros tipo trompe l’oeil, realizadas por meio de elaboradas combinações de claro-escuro, luz e penumbra; o rígido controle das mudanças de perspectiva e a disposição do elenco em majestosos tableaux vivants; a hipersensibilidade de miniaturista com que filma emoções humanas, seu manuseio preciso da câmara para captar as sutilezas da tristeza, da melancolia e do luto, bem como momentos prolongados de inexpressividade e impassibilidade. Hannah Barry.

Graduado em 2003 na Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhagen, representa a Dinamarca na 55ª Bienal de Veneza, em 2013. Participa de inúmeras exposições individuais na Europa e Estados Unidos, incluindo Jesper Just - Appearing/Intercourses, ARoS Aarhus Kunstmuseum, Dinamarca. O Museu de Arte Contemporânea MAC/Val, Vitry-sur-Seine, hospeda a primeira exposição monográfica do artista na França em 2011. Seu trabalho é representado pelas Galerie Perrotin, (Paris), James Cohan Gallery (Nova York) e Galleri Nicolain Wallner (Copenhagen).

Some Draughty Window | 2010
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD | 10’

Em Some Draughty Window Just questiona alguns tabus profundos da nossa sociedade: a ênfase sobre o envelhecimento, o desejo de pessoas idosas, e a ambiguidade sexual. A lenta levitação da mulher idosa, que inicialmente encontramos de bruços à beira da morte sobre os azulejos do banheiro, atua como um movimento de regeneração. A dança aérea das personagens entre as árvores simboliza uma celebração do masculino-feminino, da vida e da morte, princípios de declínio e renascimento que são a força dialética do mundo material. Anne-Marie Ninacs.

A Vicious Undertow | 2007
Filme 16 mm convertido em vídeo digital HD | 10’

Os vídeos de Just tentam dissecar a natureza da interação humana e do constrangimento de relacionamentos. Como em “A Vicious Undertow, um sedutor pas de trois entre uma mulher de meia-idade, uma mulher mais jovem e um homem. Just muitas vezes procura enfatizar a absurdidade dos papéis de gênero e das formas em que são gerados pela cultura. Apresenta relações tensas, que poderiam ser entendidas como perversas, e as coroa de beleza e dignidade. Press Release para Jesper Just: A Voyage in dwelling.

Sirens of Chrome | 2009
Vídeo HD convertido a partir de formato RED | 12’38’’

Em Sirens of Chrome (Sereias cromadas), filmado em Detroit, um carro preto com uma porta roxa percorre as ruas do centro e acaba no famoso Teatro Michigan, um elegante teatro que virou garagem. Ali, uma quinta mulher se joga sobre o veículo parado, como se fosse atingida por ele, sem que saibamos se por acidente, suicídio ou assassinato. Faye Hirsch, Arte na América.

Guido Van der Werve

Guido Van der Werve nasceu em Papendrecht, Países Baixos, em 1977 e atualmente vive e trabalha na Finlândia, Amsterdã, e em Berlim. Van der Werve estudou design industrial, arqueologia, composição musical, e Língua e Literatura russa em várias universidades na Holanda, antes de criar seu primeiro vídeo como registro de uma performance, por volta de 2000. Desde então, ele produziu uma série de obras, incluindo filmes, vídeos, e livros de artista, em ordem cronológica de dois a quinze. Apresentações recentes de seu trabalho incluem exposições individuais no Museu de Arte Moderna de Nova York; no High Line, New York; na Fondazione Giuliani, Roma; e no Hallen Haarlem nos Países Baixos. O filme mais recente de Van der Werve, Nummer veertien, ganhou, em 2013, o prêmio Golden Calf em Amsterdã para Melhor Curta-Metragem. A performance Requiem, escrita para este filme, foi realizada internacionalmente várias vezes, inclusive em Nova York, Moscou e Roma. Todo ano, Van der Werve participa do festival Performa com o seu Annual Running to Rachmaninoff Run performance.

Nummer Twee, Só porque estou aqui não quer dizer que eu queira | Papendrecht (NL), 2003
ilme 16 mm converido em vídeo HD | 10’

A monotonia de uma rua de casas geminadas holandesas serve de fundo para uma ação que acontece na interseção entre filme, vídeo e performance.

Nummer Zes, Steinway Grand Piano, Me acorda para ir dormir e todas as cores do arco-íris | Amsterdam, 2006
Filme 35 mm converido em vídeo HD | 17’09”

Número seis é sobre desejo e escala, sobre as coisas que desejamos por sentir que são grandes demais para nossas carteiras, casas, ou corações. O artista desejaria tocar o piano de cauda Steinway, mas ele nunca o experimentou, se limitando a dedilhar suas teclas. O filme sugere um mal-estar cultural contemporâneo mais amplo, em que as grandes emoções, aparentemente alcançadas tão facilmente pelos Românticos do século 19, parecem impossíveis de serem acessadas em nossa própria época por mais do que em alguns momentos fugazes.

Nummer Zeven, As nuvens são mais bonitas vistas de cima | Netherlands, 2007
Vídeo digital HD | 8’48’’

A nostalgia de um passado desconhecido, bem como a curiosidade sobre dimensões além da nossa própria, fazem parte do vídeo, assim como as fantasias cosmológicas do artista, que direcionam sua narração. O vídeo retrata Van der Werve que medita no interior classicamente holandês de seu apartamento - móveis de madeira envelhecida sobre um piso xadrez - antes de começar uma caminhada em uma paisagem fotograficamente ideal, carregando um foguete caseiro cuja ponta contém um pedaço prateado de meteorito. (...) Este é o lugar onde van der Werve nos arremessa habitualmente: a meio caminho entre a majestade e a zombaria. Por Herbert Martin, Artforum International, Vol. 47, No. 9, Maio de 2009.

Enrique Ramirez

Enrique Ramirez nasceu em 1979 em Santiago, Chile. Vive e trabalha em Paris.

O trabalho de Enrique Ramirez poderia ser descrito como incursões poéticas para uma humanização das distopias contemporâneas. Seus filmes-instalações e fotografias lidam com a política do êxodo e do exílio, e com a descontinuidade da memória. Para Ramirez isso sempre significa uma busca árdua no imaginário subjetivo. As vastas paisagens que muitas vezes aparecem em suas obras são concebidas como espaços geo-poéticos para a imaginação, territórios abertos para a visão e a deambulação. O clima das imagens é contemplativo; a paisagem, a brisa, a água, a areia, todos parecem trabalhar juntos no esforço de colocar um ponto de vista subjetivo. Por Maria Berrios.

Realizou inúmeras exposições individuais, incluindo mostras no Palais de Tokyo, Paris (2014), Musée des Beaux-Arts, Dunkerque, France, (2013), Video Bar Clermont-Ferrand, France (2013), Galería Die Ecke, Santiago, Chile (2013), Museo de la memoria, Santiago, Chile (2010). Participou do 19 video Brasil (Pacifico), São Paulo, Brasil (2015), Biennale de la imagen en movimiento, Buenos Aires, Argentina (2014), L’instant de voir, Musée des Beaux Arts, Rennes, France (2014), entre outras. Ganha o Prix Découverte 2013 des Amis du Palais de Tokyo, Paris, France, e o Honorific prize por Brises, video brasil, São Paulo, Brasil (2013).

Brisas| 2008
Filme 35 mm convertido em vídeo digital HD | 12’

Em Brisas (2008), Enrique Ramírez problematiza a memória do Chile, propondo uma revisitação a partir de diferentes perspectivas históricas. Nos convida a atravessar áreas icônicas e reconhecíveis da cidade de Santiago do Chile, em uma caminhada poética e política que conclui ao cruzar o Palácio de la Moneda, símbolo do governo e lugar de memórias de um período recente da história do país: o governo de Salvador Allende, o golpe militar de Augusto Pinochet e o retorno à democracia. Às vezes, como diz o próprio Ramirez, a “água limpa tudo, outras vezes o vento leva.”

Un hombre que camina | 2014
Vídeo digital HD | 21’35’’

Quando caminhamos podemos deixar nos envolver por um silêncio que cerca nossos pensamentos e que nos isola da cidade, do barulho e de tudo o que não queremos que nós toque. Em um lugar a 5.000 pés de altura, há um homem imaginário que começa uma caminhada que representa o desconhecido e incerto caminho entre a vida e a morte. Ele realiza um sonho surreal em uma paisagem desconhecida, onde o mar e a terra são uma coisa só. 

Adrian Paci

Nasceu em Shkoder, Albânia, em 1969. Vive e trabalha em Milão, Itália.

Paci deixou sua terra natal, a Albânia, em 1997, durante a guerra civil, e a sua prática explora regularmente a experiência do exílio e da imigração. Aborda temas como a mobilidade, o deslocamento, a globalização e a identidade cultural para explorar como as histórias pessoais são definidas por circunstâncias sociais e políticas.

Realizou inúmeras exposições individuais, incluindo mostras na Istambul Modern, 2010; Kunsthaus Zurich, 2010; Centro de Arte Contemporânea de Tel Aviv, 2008; Kunstverein Hannover, 2008; Milton Keyes Gallery, Reino Unido, 2007; P.S.1, Nova Iorque, 2005; Galleria d’Arte Moderna e Contemporanea di Bergamo, Itália 2003. Em 1999, Paci foi o artista convidado para inaugurar o primeiro pavilhão nacional da Albânia, na 48º Bienal de Veneza. Participou a seguir das Bienais de Veneza de 2005 e 2011.

The Column | 2013
Vídeo digital HD | 25’40”

The Column é uma reflexão sobre a velocidade com que oferta e demanda têm de ser atendidas na economia de hoje. Um pretexto para uma viagem poética entre Oriente e Ocidente, o vídeo de Paci mostra a transformação sofrida por um pedaço de mármore, da sua extracção de uma pedreira até as longas semanas de transporte por mar, quando os escultores a transformam numa coluna românica.

Electric Blue | 2010
Vídeo digital HD | 15’

Electric Blue é o título de uma série erótica de TV apresentada em um canal estatal da Iugoslávia. Neste trabalho, Paci conta a história de um homem que tenta garantir a sobrevivência econômica de sua família no estado caótico e em colapso que foi Albânia na década de 1990. Paci consegue criar imagens marcantes sobre a ‘condição humana’, que se imprimem na memória do espectador.

Piktori| 2002
Vídeo digital | 4’

Lutando com versões mediadas de autenticidade, reativando suas próprias memórias e a de outros, ou re-encenando o real, inevitavelmente se chega à consideração de que as imagens podem servir como mentiras úteis. Em dois trabalhos, Paci finge sua própria morte, talvez como uma forma de encontrar uma renovação pessoal. Piktori (2002) é uma entrevista em vídeo com um artista albanês que monta uma loja no mercado da sua cidade onde forja qualquer coisa, de documentos oficiais a obras-primas. Ele faz isso com um senso de humor seco e grande estoicismo – concordando alegremente em forjar certificado de morte de seu colega. Dominich Eichler, Frieze Magazine.

Per speculum| 2006
Filme 35 mm convertido em vídeo digital | 6’53’’

Per Speculum oferece uma alegoria para a natureza da percepção. O título da obra alude à famosa passagem na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Porque agora vemos como em espelho, obscuramente...”, que aborda a nossa visão imperfeita e limitada da realidade. Enquanto Paci invoca o engano dos sentidos e, por extensão, da representação mimética e do próprio filme, a imagem de abertura da árvore iluminada parece manter a possibilidade de alguma forma de transcendência, mesmo que ilusória. Ted Mann, Guggenheim collection online.